Face da Morte

by Simples Rap'ortagem | 22:04 in |

Quem não se lembra do filme Faces da Morte? Se é que é possível chamar aquilo de filme, já que não havia história a ser contada, inicio, meio ou fim. Somente haviam recortes de cenas reais de morte, era sangue para todo lado, cabeças rolando, cenas de amputação e etc. Assistir era uma prova de fogo, um desafio, tinha que ter estômago. Hoje, esses “filmes” estão mais acessíveis, não é necessário locá-los, porque chegam diretamente em sua casa. Quer mais faces da Morta que Se Liga Bocão, Na Mira e Que Venha o Povo? 


Isso me fez pensar sobre o porquê não se ouve mais falar desses “filmes”. Será por que não são mais produzidos? (se é que não é) e principalmente o que leva uma pessoa a consumir filmes com cenas reais de morte, das formas mais degradantes, esdrúxulas e cruéis, além de desumanas? Cheguei à conclusão de que não consumimos o filme, mas convivemos direta e indiretamente com a morte. 

A princípio, penso que, no meu caso, era curiosidade de jovem em processo de descoberta, mas seria muita racionalização da minha parte dizer isso. Qualquer pessoa tem indução ao necroso, sempre que há uma morte na comunidade a população se reúne em volta, olha, mexe com o corpo, especula sobre as possíveis causas etc. 

Quando isso é constante em filme como Faces da Morte, se tornam desnecessários, só é ver as mortes que acontecem em nossas comunidades jovens assassinados com tiro na cabeça, cremados até o esquartejamento. Antes a morte era algo distante, já hoje é possível assistir esses programas sensacionalistas e ver as diversas Faces da Morte sendo exposta. Transmitem, e em pleno horário de almoço para as famílias de toda a Bahia, que nunca se reuniam para comer juntas, e agora sentam na sala e consomem duplamente a comida e a miséria do povo, ambas se confundindo. 

Com isso, é possível identificar diversas manifestações da Face da Morte nesses programas desde o processo de opressão da polícia na comunidade, a falta de acesso aos serviços básicos, até a morte, de forma cruel, à exposição do cadáver e o enterro, uma oposição ao direito à dignidade. 

A consequência do consumo constante da miséria e da morte é uma sociedade mais endurecida pela vida, desumana, que não hesita em pegar a câmera para gravar a cena e vender para esses programas. O desafio agora é decidir se alimentamos ou não o consumo desse filme chamado sensacionalismo.

CONTATO

DIVULGUE



Divulgue a SimplesRap

SLIDE

Loading...